São José do Louro: recordações

Ronaldo Haesbaert da Costa

 

Sorrindo pela estrada dos meus grilos

E gafanhotos, das minhas flores e borboletas,

Da minha relva macia

Dos meus sonhos e fantasias,

Estrada de areia quente ao sol do meio dia.

Da água sob a ponte a dançar por entre as pedras

Do casarão dos avós em meio dos pinheirais

Do alambique e da roda d’água do engenho

Dos caquis, das bergamotas e,

Do pão com manteiga com café a meia-tarde,

Do milho para a farinha e também para as galinhas,

Do beiju quente no forno

Das cascas de melancia que eu levava para os porcos

Das vacas para a ordenha

Que eu buscava pela manhã

Das “domas” de caqui-bravo

Dos marimbondos da área da frente do casarão

Da noite, dos lampiões, dos ratos no sótão e,

Dos cães no pátio a latir

Das luzes dos pirilampos a voar por entre as moitas e,

As minhas primas afoitas a correr atrás dos mesmos;

Do entardecer no quintal com as aves já no poleiro e,

Do silêncio do crepúsculo em meio à roda do mate,

Recordo de tudo isso

Das mesadas de café

Dos corredores longos e amplos que algum tempo eram tantos

E hoje parece um só

Da chuva a bater no zinco e das enchentes no lajeado

Da pinguela, dos meus tios que se resumiram num só.

Da curva por onde o ônibus passava todas as tardes e,

Nos trazia os parentes ou as noticias pelo jornal da cidade

Do cinamomo caído em frente da nossa casa

Do açude, do taquaral que havia nos fundo dela.

Dos serões do tio Luiz onde o “Piru” nos contava

Milagres de outras terras; e eu ficava assombrado.

Da vertente na subida que não secou até hoje

De tudo isso me lembro, e resta agora a saudade...

Subo a colina e o que vejo?

Cruzes, flores, cinamomos.

Abro o portão e me ajoelho

A saudade invade a alma.

Rezo junto com o silêncio uma prece aos que partiram

Primos, tias e meus avós.