Vovó Zica: a Rainha das nossas vidas.

Menino, pequeno menino ainda correndo entre a areia da estrada e a relva dos campos. Menino a nadar no açude junto com os lambaris.

Entre os ramos das arvores e os passarinhos, o menino cantava.

Entre as luzes de múltiplos pirilampos, se divertia a luz da lua. Os animais: o gato, os cachorros, a vaca e os cavalos, tudo era motivo de alegria e lazer!

Na pinguela do lajeado onde o tio Balduino passava todas as noites, cantando:- “O que tem a rosa tão desfolhada, foi o sereno da madrugada!”, e após, tonto, mergulhava nágua fria.

Na estrada, as vertentes, na subida da estrada do tio Luis: tudo infanto - juvenil em esperanças duradouras, como a água cristalina.

Na Escola Rural, no recreio: pão de milho com banha, pimenta e sal e ao final da aula, a professora Adélia advertia: “Cuidado com o touro, na estrada; cuidado, ele pode estar por perto!”.

 Subia em mais um coqueiro para colher e saborear muitos coquinhos amarelinhos e ao chegar em casa, o abraço da mãe. -”Vai tirar os teus chinelos e mostra o teu bocó com o livro e o caderno, quero ver se tu tens deveres pra casa!”.

Almoço muito simples: arroz, feijão, mandioca, bolo de ovos fritos com sal; sobremesa: bergamota e laranja. A mãe e a avó traduzem até hoje e sempre, o amor, a paz e a tranqüilidade, ânimo, firmeza e felicidade. À tarde após trabalhar na lavoura: um passeio pelo casarão pra abraçar e beijar a vovó Zica que já trazia pra mesa grande, repleta de netos, o pão sovado com chimia de melado e o café com leite quentinho, as broinhas e as “corujas” de polvilho, tudo incrementado pelo afeto e o carinho da vovó tão querida.

 O menino sabia que havia muito amor para dar e receber daquela maravilhosa criatura, que lhe contava histórias, que lembrava na hora de dormir, e muito mais amor receberia durante toda a sua vida, aos milhões de abraços e beijos, carinho e aconchego, amor e ternura do alvorecer ao crepúsculo! É ter a avó e a mãe como suporte vital, verdadeiras pérolas da vida, todo o significado essencial para o seu pequeno coração e seu pequeno mundo, mantendo-as sempre no seu pensamento!

O tempo foi passando célere. As rugas dos anos, os tremores dos meses e das horas, a amnésia dos minutos, mas da mãe e das avós ninguém se esquece: mãos que nos envolvem tremulas e as nossas que agradecem às mães Jurema, Eulita, Neninha, Talita, Edite, Marlene, Lolita, outras tantas e a vovó Zica: rainha das nossas vidas!.

As lágrimas que caem a rolar pela face deste menino de cinco décadas que hoje lhe escreve com muita saudade!

Para todas as mães e avós desejamos sempre: saúde, paz e muito amor!

Obrigado vovó Zica, muito obrigado  a todas as mães do mundo!